Mercado de vinhos brasileiro cresce contra a maré global e muda perfil de consumo
Enquanto o consumo global de vinhos registra queda, o Brasil destaca-se com um aumento significativo e uma nova preferência por vinhos brancos mais leves

Apesar da retração mundial no consumo de vinhos, o mercado brasileiro inverteu a tendência e apresenta crescimento expressivo, com expansão superior a 30% na última década. Entre 2022 e 2023, o consumo nacional aumentou 11,6%, ficando atrás apenas da Romênia, que teve crescimento de 20%, segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Esse avanço se reflete também no aumento do tíquete médio dos consumidores.
No primeiro trimestre de 2025, o mercado nacional movimentou cerca de R$ 3,9 bilhões, com mais de 110 milhões de garrafas vendidas. Projeções indicam que até o final do ano o setor pode alcançar R$ 22 bilhões em faturamento. Essa expansão destaca o potencial de consumo e a valorização do vinho no país, mesmo frente às variações globais desfavoráveis.
No âmbito da América Latina, o Chile mantém forte intercâmbio comercial, especialmente com o Brasil. Entre janeiro e agosto de 2025, o país exportou US$ 20 milhões em bebidas alcoólicas e destiladas, aumento de 29,3% em relação ao mesmo período de 2024. As exportações de vinhos chilenos para o Brasil totalizaram US$ 134 milhões, crescendo 2,3%. Esses números confirmam a relevância da relação comercial entre as duas nações, além de impulsionar o setor regional.
A maturidade do mercado é celebrada na Prowine 2025, que ocorrerá entre 30 de setembro e 2 de outubro em São Paulo, reunindo produtores e especialistas. Apesar de o Brasil estar longe do consumo per capita da Argentina — maior consumidor latino-americano com 21,6 litros por pessoa — o volume de 2,7 litros por pessoa demonstra potencial de crescimento.
Uma mudança importante no perfil do consumidor brasileiro é a crescente preferência pelos vinhos brancos, cuja venda cresceu 28% no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao último trimestre de 2024, conforme a consultoria Ideal. O público valoriza vinhos mais leves e frescos, adaptados ao clima local e a ocasiões informais. Diego Bertolini, especialista em vinhos, ressalta que a percepção do vinho no Brasil evoluiu, tornando-se mais acessível e versátil à mesa dos consumidores, refletindo uma transformação no mercado nacional.
