Preço do vinho europeu ainda não cai significativamente apesar da redução das tarifas de importação

    Desoneração gradual e estoques antigos mantêm preços altos, adiando a queda prometida no acordo Mercosul-UE

    Preço do vinho europeu ainda não cai significativamente apesar da redução das tarifas de importação

    A política de redução das tarifas de importação sobre vinhos europeus já começou a surtir efeito, mas até o momento a queda no preço para o consumidor segue tímida. Desde maio, a alíquota entrou em uma etapa de diminuição, passando de 27% para 24%. No entanto, a redução percebida nas gôndolas dos supermercados e nas lojas especializadas está longe de ser expressiva, com variações na casa de 2% a 2,5% segundo grandes importadoras como a World Wine. A expectativa é de que os impactos se tornem mais relevantes nos próximos anos, assumindo maior visibilidade com o avanço gradual das desonerações previstas.

    Um dos principais obstáculos para a queda imediata dos preços é o estoque antigo de vinhos importados sob tarifas maiores e em condições cambiais menos favoráveis. Produtos adquiridos quando o dólar estava mais alto e com alíquotas maiores ainda dominam o mercado interno. Isso significa que, enquanto esses vinhos não forem vendidos, a redução da tarifa terá efeito limitado sobre o preço final. Além das tarifas, outros custos como o câmbio, frete, impostos internos, logística e margens comerciais também compõem o valor pago pelo consumidor, tornando mais lenta a passagem da desoneração para as prateleiras.

    O cronograma do acordo Mercosul-União Europeia prevê uma redução paulatina que seguirá para 21% em 1º de janeiro de 2027, com a expectativa de eliminação total da tarifa somente em 2034. Em paralelo, o setor enfrenta forte concorrência e estoques elevados, o que mantém a pressão sobre os preços. A amplitude de rótulos europeus disponíveis no mercado, assim como o aumento do interesse por origens diversas da França, como Espanha, Itália e Portugal, configuram um cenário dinâmico, mas que ainda restringe ajustes de preço significativos.

    Assim, enquanto o calendário de tarifas avança e o consumidor demonstra maior interesse pelos vinhos europeus, o preço desses produtos refletirá de forma gradual a renovação dos estoques e a evolução das condições econômicas e cambiais. A promessa de uma redução efetiva e perceptível no custo final deve se materializar de forma mais clara apenas com o desenrolar do acordo comercial nos próximos anos.

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