Vinhos sem álcool ganham espaço e dominam feira internacional em Paris

    Mercado em expansão reforça mudança de hábito: a busca por alternativas ao álcool altera o consumo tradicional do vinho

    Vinhos sem álcool ganham espaço e dominam feira internacional em Paris

    A feira Wine Paris deste ano destacou um mercado em rápida transformação: os vinhos sem álcool deixaram de ser uma exceção para ocupar um espaço de relevância entre os consumidores europeus. Com dezenas de opções expostas — tintos, brancos, rosés e espumantes — a crescente oferta atende a um público que busca prazer no vinho, mas sem abrir mão da consciência sobre a saúde e do impacto alcoólico.

    Até poucos anos atrás, beber vinho sem álcool ainda era tratado com certo constrangimento, uma escolha sussurrada, quase à margem do ritual social. Hoje, a realidade mudou substancialmente. Produtores renomados se reinventam para entregar bebidas sofisticadas, que proporcionem uma experiência próxima do vinho tradicional, mas sem os efeitos indesejados do álcool. A empresária austríaca Katja Bernegger, da Zeronimo Wine, ressaltou a importância dessas alternativas para momentos sociais: “sem isso, as pessoas acabam ficando fora da roda, com suco de laranja ou refrigerante.”

    O fenômeno acompanha comportamentos mais amplos: em países como França, o consumo de vinhos e destilados tem diminuído, principalmente entre adultos e jovens que optam por hábitos mais saudáveis e conscientes. Bernegger destaca que o mercado de vinhos sem álcool já ultrapassou a fase de tendência passageira e se fixa como uma nova realidade. "Cresce uma geração que valoriza o desempenho, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e deseja evitar as consequências negativas do álcool," explica.

    Porém, nem todos os especialistas se mostram convencidos. O comerciante de vinhos luxemburguês Guy Tabourin afirma que retirar o álcool pode comprometer aspectos essenciais da bebida, como sabor e estrutura, tornando a experiência frustrante para apreciadores tradicionais. Apesar disso, varejistas sinalizam oportunidades nesse nicho, que também acaba promovendo inclusão social. Justine Bobin, proprietária de uma charcutaria, reforça que o vinho sem álcool abre espaço para quem prefere não beber, mas ainda quer participar das confraternizações e celebrar com os demais.

    Em meio à evolução do mercado e à transformação cultural, o vinho sem álcool emerge como mais do que uma simples adaptação: representa uma redefinição do que significa saborear e compartilhar momentos em torno da bebida.

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