Vinho brasileiro terá salvaguardas para frear concorrência europeia no acordo UE-Mercosul
Regras especiais vão permitir suspender temporariamente vantagens tarifárias, protegendo produtores nacionais diante da expansão dos vinhos europeus no Brasil

O vinho brasileiro deve ser protegido da forte concorrência europeia por meio da aplicação de salvaguardas no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, segundo anunciou o presidente em exercício e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (19). Durante a Festa do Vinho no Rio Grande do Sul, ele afirmou que o presidente Lula regulamentará essas salvaguardas via decreto, o que permitirá suspender temporariamente as vantagens tarifárias concedidas no tratado caso os produtores nacionais enfrentem problemas com a entrada de vinhos europeus.
As salvaguardas são mecanismos que autorizam os governos a intervir sempre que houver aumentos significativos nas importações que prejudicam a indústria local. A União Europeia já aprovou suas próprias regras para o bloco em dezembro, estabelecendo que, se as importações de algum produto agrícola sensível crescerem mais de 5% em média ao longo de três anos, poderá iniciar uma investigação para suspender os benefícios tarifários. Além disso, a duração desses processos foi reduzida para tornar a atuação mais ágil.
Especialistas avaliam que o acordo trará mais opções e preços mais competitivos para o consumidor brasileiro, trazendo vinhos europeus de qualidade a custos até três vezes menores do que atualmente. Atualmente, a tarifa de importação eleva bastante o preço dos vinhos importados, motivando principalmente a compra de rótulos mais caros que já compensam essa tributação. Com a redução gradual dos impostos, espera-se que os consumidores tenham acesso a uma variedade maior de vinhos europeus, inclusive de menor preço.
Apesar das preocupações dos produtores brasileiros, concentrados especialmente no Rio Grande do Sul, o período para adaptação será longo, já que a redução tarifária ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos anos — tempo suficiente para que a indústria nacional se organize para competir. Para o economista Marcos Troyjo, responsável pelas negociações do acordo, essa transição é fundamental para equilibrar os interesses do mercado interno com os benefícios do acordo.
Assim, o acordo Mercosul-UE configura-se como um desafio e uma oportunidade para o setor vitivinícola brasileiro, que poderá proteger-se das pressões externas enquanto acompanha a evolução do mercado global.
