Exportações de vinho brasileiro para os EUA caem quase 40% após aumento de tarifas

    Barreiras tarifárias e mercado altamente competitivo comprometem presença do vinho nacional no principal importador mundial

    Exportações de vinho brasileiro para os EUA caem quase 40% após aumento de tarifas

    As exportações de vinho brasileiro para os Estados Unidos apresentaram uma queda expressiva de 39,6% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os dados da Comex Stat, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mostram que as vendas recuaram de US$ 750,9 mil para US$ 453,9 mil, uma redução de aproximadamente US$ 297 mil. Esse declínio está diretamente associado à adoção e ampliação de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, medidas implementadas desde 2025.

    O mercado dos EUA é estratégico para as vinícolas brasileiras, sendo o maior importador mundial de vinhos e um importante indicador de sucesso para as marcas. No entanto, o país apresenta um ambiente altamente competitivo, com regras estaduais distintas para comercialização e uma redução geral no consumo da bebida.

    Empresas tradicionais do setor já sentem os efeitos do cenário tarifário. A Salton, que teve os EUA entre seus principais mercados internacionais, destaca que mantém presença em grandes redes varejistas americanas, como Total Wine e ABC Liquors. Para minimizar os impactos, a vinícola acelerou sua estratégia de diversificação, expandindo vendas para mercados como China, Maldivas, países africanos e Filipinas. Ajustes logísticos e proteção cambial também fazem parte das medidas para garantir competitividade. Nos últimos seis anos, a Salton exportou mais de 6 milhões de garrafas.

    Por sua vez, a Miolo Wine Group adota uma postura de cautela diante do atual cenário. O gerente de exportação Lúcio Motta ressalta o potencial dos EUA, mas reconhece que as tarifas dificultam o planejamento no longo prazo. Ele destaca ainda a complexidade do sistema de distribuição americano, conhecido como “três níveis”, e a retração global no consumo de vinhos. Esses fatores colaboram para a necessidade de revisões constantes nas políticas de preços e geram incertezas para importadores e parceiros comerciais.

    Apesar dos desafios, a Miolo segue investindo na consolidação da marca nos EUA e recentemente iniciou uma nova parceria de distribuição na Costa Oeste, com planos de expandir para estados como Massachusetts, Nova York, Nova Jersey e Flórida. Porém, o recente aumento tarifário imposto em 2026 exigirá novas renegociações no mercado americano para manter a competitividade do vinho brasileiro.

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